Quem quer aprender a fazer amor precisa se esquecer um pouco de sexo. Precisa se esquecer até mesmo do outro. Deve estar em si, antes de tudo.

E entender-se com suas raízes selvagens. E deve saber, antes, que o amor rege o mundo. Mesmo quando se esquecem dele.

Quem quer aprender a fazer amor deve ser capaz de olhar nos olhos. E no olhar expressar, receber, trocar. Até tocar.

Precisa perceber o quanto as almas podem comungar, ainda que os corpos não se conheçam.

Deve, ao lado do seu bem – sim, pra fazer amor tem que querer bem –, abrir espaço para que uma canção de derramada beleza os transporte para reinos de ternura.

Precisa conhecer o próprio corpo e ter a bondade de lhe conceder prazer. Precisa investigar o prazer do outro e saber que tudo está muito bem se tiver prazer em lhe provocar prazer.

Quem quer aprender a fazer amor também deve ser capaz de se aninhar no corpo do seu par e ficar quietinho. E deve ser livre o suficiente para poder chorar de amor.

Nunca pode se considerar mestre. Porque os verdadeiros mestres sabem que são aprendizes sempre.

Quem quer aprender a fazer amor tem que ser criança no coração e amar a brincadeira. E tem quer ter tempo, muito tempo, para fazer amor.

Porque a cama a gente prepara muito antes de deitar.

Onides Bonaccorsi Queiroz
Imagem: “Amantes” (Khalil Gibran)

Escrito por

Daniel e Ana

Somos casal, somos sócios, parceiros, cúmplices de nossas aventuras, testemunho vivo de que é possível estar casado por 10 anos e se renovar sempre. Estamos em busca de encontrar nossa identidade dentro da nossa própria história. Acreditamos que compartilhar o pouco que se tem, é a chave para um mundo melhor.