A leveza da existência como ser individual parece tão doce quanto solitária, na mesma medida. Oscila para onde a vocação aponta. Então surge o desejo do matrimônio, sem saber de onde veio tal vontade. A finalmente a data é marcada.

A alma finalmente se completa. Os filhos chegam, a barriga cresce, mas os sonhos não morrem, os desejos continuam vivo dentro do coração. Os ventos sopram, os pais transcendem para outra dimensão, tudo muda sem mudar. Na verdade mudou apenas dentro da sua alma.

Brota um desejo de mudança, mas as amarras do matrimônio te impedem de seguir seu instinto animal de reprodutor, até que o ímpeto do grito de independência ou morte sobe pela garganta, mas 5 min depois o ridículo bate a porta e a rotina te engole. As mordaças da monogamia te afogam.

Você é forte e rasga seus medos e finalmente sai o grito do desespero de querer ser livre. O coração colapsa e sua esposa te salva de um infarto certeiro, na calada da noite, bem suave, sua mulher sussurra no seu ouvido: esta tudo bem, eu topo. Você se olha no espelho e descobre quão idiota foi todos estes anos por achar que ela nunca iria topar uma relação a três.

Agora vamos as minutas do contrato. Sua companheira renovada e empoderada solta o pior dos pesadelos: Rodolfo disse que topa. Seu mundo desmorona, com medo de parecer um homem das cavernas, engole sua vaidade e brio masculino e topa o desafio, pois a recompensa vai ser certa, Mariana do 802 será a próxima vítima. Vamos ao sacrifício já que a vizinha sempre foi seu sonho de consumo.

Seria tão lindo se a abertura de um matrimônio fosse tão previsível assim. Mas nunca foi e nunca será, matrimônios se abrem por brigas, ciúmes, vinganças, raivas, desejos reprimidos e traumas. Claro que nem sempre é tão dramático, pois o pêndulo oscila para onde sua vocação aponta, lembra, lá no início. Foi ele que te fez casar.

As vez a introdução de uma terceira pessoa se dá de uma forma tão suave que fica difícil dizer quando foi. Escrevi tudo isso para te dizer, não existe uma hora perfeita, se é quando o casal esta em crise, se é quando o casal esta no seu melhor momento, para mim, poligamia é como monogamia, você vai buscar o que te trás paz. O que vai preencher o vazio do peito.

Minha dica é: siga seu coração. A hora certa não existe, agora é o melhor momento para ser feliz.

Escrito por

Daniel e Ana

Somos casal, somos sócios, parceiros, cúmplices de nossas aventuras, testemunho vivo de que é possível estar casado por 10 anos e se renovar sempre. Estamos em busca de encontrar nossa identidade dentro da nossa própria história. Acreditamos que compartilhar o pouco que se tem, é a chave para um mundo melhor.