1. Acreditamos no amor infinito e sem limites.

Parece tão óbvio que nem vou gastar muitas palavras nisso. O sentimento de propriedade do mundo moderno, passou dos limites e passamos a achar que temos que possuir não somente a última TV que acaba de lançar, mas também todas as pessoas que nos cercam. Pode parecer maluco, mas achar que sua namorada é sua, é no mínimo capitalista de mais para uma pessoa que acredita no poliamor.

Amar o nosso parceiro será para sempre. Amar a garota com quem tivemos duas semanas de namoro será para sempre. Nosso amigo com quem conversamos profundamente, amaremos para sempre. Ainda temos mais amor para dar e as oportunidades são infinitas.

Amor é amor, não importa como ele seja moldado. De ser poli a ter um único amor monogâmico; dos amigos que andam ao seu lado até as pessoas que compõem sua família. Amor é amor.

Poliamor é a capacidade de ir além de apenas um amigo, além de apenas um relacionamento que pode ou não ser íntimo. Está se abrindo para a possibilidade de que o amor é exatamente isso: amor.

Você pode até não ser uma pessoa feliz, mas acreditar que pessoas são felizes, já é um grande passo. Pois as pessoas monogâmicas nem acreditam que é possível ver seu marido beijando outra pessoa, soa como absurdo, para nós isso dá até uma certa apimentada. 

2. Temos configurações diferentes.

Os relacionamentos monogâmicos, são entre dois indivíduos. Em um relacionamento poli, ele pode ser aberto, onde todas as partes têm a capacidade de sair e explorar as outras, ou fechadas, nas quais o relacionamento poli é apenas entre os indivíduos envolvidos, que são mais de dois. Pode ser uma tríade de três amantes ou a formação de milhões de amigos.

3. Temos regras diferentes.

As regras fazem parte da nossa vida, tantos os monogâmicos quanto os poliamantes, adoram regras e adoram quebrar regras, nisso somos iguais.

Porém nossas regras são diferentes, as vezes meio malucas. Uma coisa que torna nossas regras malucas é o fato de achamos que o amor deveria ser livre, queremos um amor livre, buscamos por isso mas não damos conta 100%. Então criamos regras malucas tipo:

Regras malucas

Pode fazer mas não quero saber.

Pode fazer, quero saber, mas não quero saber os detalhes.

Pode fazer mas quero participar.

Não pode fazer com outras pessoas, somente com nós 3.

Outro relacionamento poli pode ser que todos os detalhes sejam compartilhados. Alguns podem dizer que é permitido fazer qualquer coisa que não tenha contato genital entre duas pessoas. Tudo varia entre o que as partes estão à vontade .

Mais regras malucas:

Pode mas não pode, chegar ao orgasmo com a outra pessoa. (regras para casais que estão começando a abrir o relacionamento.)

Pode mas não pode, este ou aquele tipo de sexo.

Pode mas não na nossa cama.

etc...

Casais monogâmicos geralmente têm a regra de "não trair", que pode ser qualquer coisa que envolva uma proximidade íntima fora da dupla.

4. Lidamos com o ciúme de maneira diferente.

Ainda somos humanos, e os seres humanos ficam com ciúmes . Em poli, conhecer a si mesmo em primeiro lugar permite lidar com o ciúme com mais facilidade. Entender que seu parceiro está saindo com essa pessoa pela terceira vez nesta semana não significa que eles não estão interessados em você.

Você deve ser capaz de lidar com o ciúme que surgirá, saber que ambos estão obtendo satisfação consigo mesmo e com seu parceiro.

Não significa que não doi, apenas que estamos em fase de desapropriação do outro.

5. Nossos parceiros tem desejos e necessidades, por que não realizar?

Em uma relação poli, começamos a nos conectar tanto que pequenos desejos se tornam uma ordem. Aceitamos que nossos parceiros tem desejos que não nos envolve diretamente, aceitar que estes desejos se materializem faz parte do processo e é super comum.

A monogamia exige sacrificar necessidades que não podem ser atendidas dentro da dupla, a fim de manter a integridade da dupla. Os desejos não podem sequer serem comentados.

Muitas vezes em um relacionamento poli, fantasias são experimentadas e muitas vezes nem chegam a serem concretizadas. A liberdade de poder manifestá-las muitas vezes acaba sendo o suficiente.

6. Entendemos que todos os relacionamentos servem a um propósito diferente.

Alguns relacionamentos podem ser físicos, outros mais íntimos, outros podem permanecer como amigos com quem compartilhamos uma conexão profunda. Ser poli não significa fazer sexo com todas as pessoas. Ser poli significa amar cada relacionamento que encontramos e saber que cada amor não diminui o outro.

No início da minha jornada, conheci uma mulher que tinha relacionamento aberto, eu dei em cima dela a semana toda, por achar que seria mais fácil. O que é exatamente o oposto. Gostar de se relacionar com mais de uma pessoa não tem nada a ver com querer ou estar aberto para se relacionar com qualquer pessoa.

Nos grupos de chat sobre poliamor é super comum homens postarem nuds, tipo, aqui tem um monte de mulher carente. As mulheres poli são muito mais empoderadas. 

Pessoas mal resolvidas tem em todas as tribos, como na maioria das vezes as pessoas que praticam relacionamento abertos são mais abertas a se manifestarem, gera uma falsa impressão de que neste universo o sexo é o mais importante. Seja ele com quem, seja ele quando seja ele como. Esta falsa impressão prejudica muito  este movimento que é antes de tudo político. 

7. Nós respeitamos nosso relacionamento principal.

O principal no relacionamento poli é aquele s) com o qual você mantém um relacionamento 24/7. Qualquer que seja o papel, respeitamos o que eles dizem. Só vemos outras pessoas se isso está dentro das diretrizes que foram estabelecidas em comum acordo.

Não concordamos em sair com outra pessoa, se já tivermos uma data marcada com nossa escola primária. Se ocorrer uma emergência com o nosso primário, não o ignoramos. Nós os respeitamos, porque foi isso que nos trouxe até aqui em nosso relacionamento com a poli.

Claro que, o que nos impulsiona é que não tenha um principal ou especial na relação. Mas até que a última pessoa a ser envolvida na relação tenha a mesma intimidade, conexão, história, os pesos não terão as mesmas medidas. E isso tem que estar claro.

Sabemos que eles (nosso relacionamento primário) estarão lá para apoiar cada ruptura, ouvir todas as tentativas fracassadas e todas as tentativas que estão indo bem. Eles precisam recuar quando saímos para ter um encontro com a outra pessoa, desde que isso esteja claro e bem explicado.

8. Valorizamos a comunicação.

Nos relacionamentos monogâmicos, a comunicação é fundamental. No entanto, nas relações polivalentes, a comunicação é uma obrigação. Temos que nos descobrir, garantir que todas as partes envolvidas saibam que existem outros parceiros. Pode haver a questão de saber se existe um parceiro principal ou se a pessoa é solteira e está apenas namorando todos os parceiros que possui. A comunicação é a tábua de salvação em um relacionamento poli.

Envolvimentos com outras pessoas se faz necessário saber se esta pessoa tem outros envolvimentos que aceita outros envolvimentos.

9. Nós nos valorizamos.

Antes de entrar em um único relacionamento poli, é preciso saber o que eles aceitarão em si mesmos. Você está disposto a permitir que seu parceiro saia com outro pela quarta vez e que ele ainda o ama?

Amar a si mesmo, em primeiro lugar, facilita os relacionamentos polis . Podemos encontrar várias pessoas que amamos, mas amar a nós mesmos primeiro significa que, mesmo a cada rompimento, sabemos que ficaremos bem.

Um relacionamento poli pode potencializar o bom e o ruim, se um casal não está bem e decide abrir, pode piorar e muito. Se está super bem e resolve abrir, pode decolar.

10. Temos a mente aberta.

Na sociedade, somos constrangidos a uma educação rígida, e isso afeta nossa vida cotidiana. Ser de mente aberta permite muito mais possibilidades.

Abraçamos as diferenças que existem em nossa vida, mantendo a mente aberta de que um encontro casual pode florescer em algo mais profundo e significativo que não precisa ser sexual. Estamos aceitando as diferenças que a vida lança para nós.

Obs: Não vamos abordar a fundo neste post, mas pessoas politicamente de esquerda, tendem a ser mais abertas ao poliamor, qual sua opinião sobre isso? Deixe nos comentários.

Fonte

Escrito por

Daniel e Ana

Somos casal, somos sócios, parceiros, cúmplices de nossas aventuras, testemunho vivo de que é possível estar casado por 10 anos e se renovar sempre. Estamos em busca de encontrar nossa identidade dentro da nossa própria história. Acreditamos que compartilhar o pouco que se tem, é a chave para um mundo melhor.