As pessoas, os gostos e a eletricidade, tem algo em comum, elas tem 3 lados, temos o lado negativo, o neutro e o positivo. No campo das preferências é a mesma coisa, futebol por exemplo, tem pessoas amam e são super fanáticas, outras odeiam, já outras são neutras e acabam torcendo somente na copa do mundo.

Quando falamos de ciúmes, é a mesma coisa, temos os que morrem de ciúmes, os que tem zero ciúmes e as pessoas normais, neutras. O polo negativo ou positivo será ativado dependendo das condições de temperatura e pressão dos fatos.

Viver uma experiência de trisal MHM foi divino, eu e duas lindas mulheres, me senti “o cara” , foi foda, na rua, no cinema, até lavar prato em 3 era foda. Isto se repetiu diversas vezes, tivemos duas namoradas nos últimos 4 anos. 

Mas eu acabei descobrindo que eu não era o centro do mundo, em um trisal, as pessoas tem suas próprias conexões, nada gira em torno de uma pessoa. Eu não era o gostoso, eu era um cara que tinha uma companheira gostosa e uma amigas que queriam estar com nós dois, reconhecer que uma das partes quer se envolver com o casal e não com o macho que se acha fodão é super importante. Mesmo que o homem seja a energia motriz da relação poliamorosa, reconhecer a importância de todos no processo, torna o processo mais interessante.


Quando duas mulheres estão na relação apenas pelo homem e o nome disso é poligamia. Sem julgamentos, mas vivemos na era dos direitos iguais e poderes iguais. 

Num dado momento da nossa história como casal, um sentimento de equidade me motivou a oferecer a minha parceira, o sentimento incrível que somente quem teve uma relação a três poderá entender. 

Porém quando quis que minha companheira provasse o que eu senti, meu mundo desmoronou, eu jurava que amaria vê-la sentindo prazer com outro homem, mas não foi assim. Foi terrivelmente brochante. O ciúmes não bateu na porta ele chutou. Não consigo esquecer os toques, as carícias trocadas, os cheiros, tudo marcou profundamente.

Perguntei, foi ruim assim para você, todas as vezes que me viu com outra mulher:

Sim.

Então aprendi duas coisas:

1) Você somente vai saber como doi um soco da cara até levar ele de fato.

2) Empoderamento é se tornar forte por identificar suas próprias forças, se achar forte sendo carregado, se chama vaidade cega. 

Se achar foda por estar em um trisal MHM é normal, mas deixar o ego falar mais forte também é normal nos dias de hoje.

Um dos sentimentos que mais me bateu, foi a dúvida de uma possível paternidade. Imaginar que ela poderia engravidar e não saber quem seria o pai, foi terrível.

Claro que minha primeira experiência HMH não foi poliamor, pois quando o amor rege o encontro, este tipo de medo não faz sentido, pois se viesse um filho, ele seria amado por todos em teoria e na prática por muito trisais espalhados pelo mundo que tem e juntaram filhos de relacionamos anteriores e vivem como uma grande família.

Meu primeiro ato HMH, foi nada mais, nada menos, que uma sutil vingança com um toque de curiosidade, recheado com uma camada de irresponsabilidade, uma vez que, quando foi comigo MHM, também foi sem proteção por pedido meu. Direitos iguais são direitos iguais.

Eu tinha tantos medos que foi a pior experiência sexual da minha vida.

Onde eu queria chegar?

Queria que ela pudesse viver a minha fantástica experiência de poder amar, beijar, sentir, duas almas ao mesmo tempo.

O pior de tudo foi que ela gostou e agora o que me resta é achar minha hombridade perdida no motel e seguir em frente, pois o ato foi lindo, teve choro, carícias (mais um golpe duro no ego), muito homem de pau mole, muito respeito, pois a vítima escolhida era um grande amigo do casal, foi realmente um final de tarde magnífico com muitos aprendizados e como imaginava, iria fortalecer os laços do casal ainda mais.

Hoje nos sentimos mais próximos e ela se sentiu valorizada pois agora eu pude entender um pouco do que ela vivenciou. Antes eu achava que não machucava e ela confirmou que sentiu todos os meus sentimentos, na mesma medida e eu nunca pude valorizar.

O famoso pimenta nos olhos dos outros não arde. Mas quando deixamos arder em nossos olhos passamos a ter mais respeito e empatia com quem as vezes machucamos mesmo amando.

Mas tudo está ficando mais leve com o tempo, através do diálogo, transparência nos sentimentos. Pedi um tempo para experiências como esta, para ter certeza quem sou eu nesta história e quem é meu ego.

Minha primeira reação foi acabar com o site Polyamor e prometer fidelidade eterna, pois nunca mais queria sentir aquela dor. Procurei algumas pessoa que sinto mais conectado, no nosso grupo do whatsapp, me abri e me pedi conselhos, com quem já tinha vivido esta experiência, este suporte foi fundamental, escutei histórias muito mais intensas que a minha e outras muito mais divertidas. Quase todos se sentiram super desconfortáveis e ainda se sentem até hoje.

Alguns como disse no início do texto, são como os que não gostam de futebol eles sentiram zero ciúmes e amaram a experiência. Outros me relataram que o ciúmes por incrível que pareça veio depois de dezenas de experiências onde supostamente estamos mais maduros e evoluídos em parar de achar que o outro é nossa propriedade.

Não tenho a menor idéia de como será a partir de agora, mas como minha esposa me disse, agora é respirar e sentir o impacto desta experiência em nossas vidas. 

Quem me dera tudo tivesse acabado assim, apenas com meu ego ferido, mas o impacto foi muito além, como não usamos proteção, sugeri que ela tomasse pílula do dia seguinte, pois as coisas saíram do controle. Com a emoção do momento, paramos na farmácia compramos, paramos para comer e seguimos para casa. 

Pela manhã veio o ressaca espiritual, pois ela já tinha feito dois abordos em seu primeiro casamento, por pressão do ex-marido, e então caiu a ficha que eu falhei em oferecer apoio e propor uma reflexão se ela realmente queria ter feito o que fez. Agi por medo, "pressionei" por medo. Mas no íntimo, era mais um abordo e isso machuca, doí na alma. Minha esposa é muito espiritual, os dois abortos lhe causaram traumas terríveis em sua vida. Vieram a tona diversas vezes, por muitos anos. Eu me sentia péssimo por não ter proposto um questionamento, um diálogo, consultado sua opinião sobre se tomar ou não seria o que ela queria, para mim era tão maxistamente óbvio, pois meu ego humilhado jamais aceitaria ser pai de um filho que não sabia se era meu.

Que venha os julgamentos em dizer, porque não usar métodos contraceptivos, para evitar de tomar uma atitude tão drástica e impactante para a saúde. O fato de não usar proteção fazia parte de uma cura espiritual, pois ela também queria que eu sentisse este sentimento, uma vez que minhas traições no passado foram sem proteção, me oferecer na mesma moeda fazia parte do plano, mesmo que para isso ela também se colocasse exposta as consequências de doenças e gravidez indesejadas.

O tema relacionamento a três está longe de ser simples, não recomendo a ninguém, ele deve ter muito diálogo e suporte social para minimizar os impactos negativos, mas faria tudo de novo, para não viver em uma mentira como era antes nosso relacionamento e é o relacionamento da maioria dos Brasileiros, pesquisas apontam que 50% das pessoas casadas já traíram. 

Sim existe uma terceira opção além desta que relatei, a monogamia verdadeira e autêntica, juro que é ela que quero neste momento de desespero. 

Mas será ela que vai me sustentar como ser humano, será na fidelidade que vou encontrar minha paz? Não creio, por mais caótica espiritualmente falando que tenha sido esta experiência, acredito que ela seja necessária para uma evolução em direção do desapego carnal, pessoas não são propriedades.


Escrito por

Envio anônimo

Muitas pessoas contribuem com nosso site, mas não sentem confortáveis em revelarem suas identidades, sendo mudamos os nomes, cidades para preservar suas identidades. Polyamor ainda é um mito e muitas pessoas não aceitam que outras possa amar de uma forma diferente do padrão.